Breve história dos correios; o posto de correios de Bairro

     DRCP
     Na Idade Média, as mensagens e o correio eram transportados pelos almocreves, pelos escudeiros, moços de estrebaria ou até pela alta nobreza se a correspondência fosse importante.
     Em Portugal, só em 1520, o rei D. Manuel I criou o cargo de correio-mor na pessoa de Luís Homem. A partir dessa altura os correios podem ser utilizados tanto pela coroa como pelos particulares. Os custos eram suportados pelo destinatário, não pelo remetente como viria a vulgarizar-se mais tarde.
     O transporte da correspondência no reino era difícil devido à ausência de boas estradas. Os percursos faziam-se a pé ou a cavalo, com a correpondência acondicionada em pequenos sacos.     
     O correio do Norte e o estafeta que vinha de Lisboa encontravam-se em Alvaiázere, onde havia uma importante estação para muda de cavalos.
     Em 1573, o correio-mor Francisco Coelho organizou a linha entre Lisboa e Elvas e, a partir daí, fazia-se a ligação a Espanha e a toda a Europa. Era conhecida como Posta do Alentejo. Uma barca fazia a travessia do Tejo até à Aldeia Galega, agora chamada Montijo. A partir daí havia estações em Pegões, Vendas Novas, Montemor-o-Novo, Arraiolos, Estremoz, Veiros, Elvas e Badajoz. Nos finais do século XVI, o correio ordinário já se fazia com alguma regularidade, cerca de uma vez por mês, para Espanha, França, Flandres e Itália.
     As viagens marítimas eram as mais céleres. Conseguia percorrer-se 100 Km por dia; por via terrestre, na melhor das hipóteses, o correio percorria 40 Km por dia.
 
     Em 1606, Luís Gomes da Mata, comprou o ofício de correio-mor, que se tornou hereditário e permanecerá na família até 1797.
     Em 18 de Janeiro de 1797, a rainha D. Maria I acabou com a dinastia postal dos Mata e os correios passam para a esfera pública: foram nacionalizados. Em 17 de Setembro do ano seguinte foi criada a mala-posta, que era um serviço de transporte de correspondência, de pessoas e mercadorias. Demorava 40 horas para cumprir o trajecto de Lisboa a Coimbra.
     Só no início do século XIX é decretada a distribuição domiciliária de correspondência em Lisboa e arredores.  Por este motivo, em 1805, tornou-se obrigatória na capital a colocação de letreiros na esquina das ruas com indicação do seu nome, assim como a numeração das portas. O resto do país ainda teve de esperar mais uns largos anos até que fossem tomadas idênticas medidas.
     Por esta altura foram regulamentados os receptáculos onde devia ser colocada a correspondência, logo apelidados de monstros de ferro.
     Em 1852, o governo de Fontes Pereira de Melo empreendeu uma ampla reforma postal, reorganizando os correios, dando-lhe um verdadeiro carácter público. O selo postal foi uma das mais importantes medidas no decurso dessa reestruturação. A primeira emissão de selos teve lugar em 1853, com a efígie de D. Maria II. O custo passou a ser suportado pelo remetente da correspodência.
     Entretanto começaram a surgir as primeiras linhas do caminho de ferro e as diligências foram gradualmente substituídas pelo comboio.